5 Mitos sobre Segurança Psicológica

26/11/2020
Gestão Inovadora

Segurança Psicológica pode ser definido de uma forma mais ampla como sendo um clima compartilhado dentro de uma equipe em que as pessoas se sentem confortáveis em se expressarem e em serem elas mesmas.

Este termo foi inicialmente cunhado pela Professora de Harvard Dra. Amy Edmondson em 1999 e ganhou muita visibilidade quando o Google tornou público os resultados de um dos maiores estudos de equipe já conduzidos, conhecido como Projeto Aristóteles, que definiu que Segurança Psicológica era o fator mais importante das equipes de sucesso.

O conceito de Segurança Psicológica está muito atrelado ao entendimento de que não é mais suficiente apenas contratar os melhores talentos, é necessário criar as condições para que eles possam cooperar e trabalhar juntos. Neste sentido, quanto mais se tem falado sobre Segurança Psicológica, maior é o risco de que surjam desentendimentos a respeito do que é e o que não é Segurança Psicológica.

Neste artigo eu busco esclarecer cinco “mitos” muito comuns a respeito de Segurança Psicológica que podem minar todo o esforço em promover este ambiente na sua equipe:

 

1. Segurança Psicológica (não) é uma habilidade aprendida

Um erro muito comum é acreditar que Segurança Psicológica está no reino das habilidades ou competências que são aprendidas. Segurança Psicológica não é nem uma hardskill nem uma softskillela é um fenômeno. É quando um conjunto de crenças, competências, habilidades, comportamentos, rituais, práticas, políticas e estruturas organizacionais são intencionalmente estabelecidos para que este fenômeno possa emergir. E neste sentido, a liderança pode e deve ajudar a criar as condições para que este fenômeno aconteça.

É importante frisar também que Segurança Psicológica, apesar de ser um fenômeno, não é o resultado de uma “química” que acontece no grupo que o faz “dar certo”, de uma forma subjetiva. É muito claro que líderes que alcançaram esta condição em seus grupos foram intencionais em suas ações para que este fenômeno surgisse.

 

2. Segurança Psicológica (não) é sobre “ser educado”

Esta é uma situação muito comum. Numa reunião, seu colega diz algo que você discorda, mas você prefere não dizer nada no momento para “ser educado” com ele, para “não expô-lo”, ou para não criar nenhuma “indisposição” no momento – mas ao final da reunião, todos conversam entre si dizendo que discordaram do que ele disse.

Segurança Psicológica é exatamente o oposto: é muito mais sobre franqueza e menos com “polidez”. É muito mais relacionado à conflitos produtivos e à liberdade de se discordar de opiniões do que “ser educado” com seu colega.

A Segurança Psicológica reside tanto no conforto em dizer uma opinião quanto na discordância dessa opinião. E quando existe a Segurança Psicológica, ambos os lados – aí sim, de forma educada – conseguem colocar seus pontos de vista e aprenderem com as opiniões diferentes.

3. Segurança Psicológica (não) é um traço de Cultura Organizacional

Quando definimos que Segurança Psicológica é um componente da Cultura Organizacional da empresa, nós caímos no erro de tratar a Segurança Psicológica no nível organizacional, buscando entender se a empresa possui ou não Segurança Psicológica. Mas Segurança Psicológica é um fenômeno que acontece no nível das equipes. Isso significa que mesmo em empresas com uma Cultura Organizacional bastante robusta e bem estabelecida irão existir equipes com alta Segurança Psicológica e outras com baixa Segurança Psicológica – o que na verdade é bem normal de acontecer.

Isso acontece por dois motivos principais:

  • A interação do trabalho no dia a dia acontece no nível das equipes;
  • A Segurança Psicológica depende fundamentalmente do líder da equipe para que este fenômeno aconteça.

 

Neste sentido, podemos descartar o componente da Cultura Organizacional no ambiente de Segurança Psicológica? Com certeza não. A Cultura Organizacional possui um papel muito importante em dar a visibilidade da Segurança Psicológica nas equipes, mostrar que este é um caminho no qual os líderes precisam se conscientizar, e criar as condições para que ações de Segurança Psicológica tenham ressonância em um nível organizacional.

 

4. Segurança Psicológica (não) é um benefício concedido aos Colaboradores

Segurança Psicológica está diretamente ligada à maiores níveis de satisfação no trabalho, engajamento, produtividade e bem estar. Logo, pode-se partir do princípio de que um ambiente de Segurança Psicológica é como se fosse um benefício da empresa a ser concedido para seus colaboradores, assim como dias extras de férias ou plano de saúde.

Precisamos entender de uma vez por todas que Segurança Psicológica não é um benefício, mas é um fator crítico de sobrevivência das organizações no médio e longo prazo. Se o normal do nosso ambiente de negócios está caracterizado por ser VUCA – volátil, incerto, complexo e ambíguo – mais do que nunca as empresas precisam e dependem da criatividade, da engenhosidade e da capacidade de inovação de seus colaboradores. E eles dependem de um ambiente de Segurança Psicológica para que estes elementos sejam aproveitados em sua capacidade máxima.

 

5. Segurança Psicológica (não) é sobre atuar em Consenso

Uma preocupação que existe em “dar voz a todos” é que as reuniões serão intermináveis, pois todos terão algo a dizer, e que as decisões também levarão uma eternidade para serem tomadas, pois surgirá a necessidade de se entrar em consenso com o grupo para que todas as expectativas sejam atendidas em torno da decisão.

Faz sentido, certo? Imagine todos da equipe querendo dizer o acham a respeito de todas as coisas!

Mas isto não é uma consequência da Segurança Psicológica, isto é a simples consequência de processos ruins.

Existem, por exemplo, diversas ferramentas e práticas de condução de reuniões que asseguram o acolhimento das opiniões de todos de forma efetiva e eficiente. O processo de tomada de decisão por consentimento também é uma forma ágil de tomada de decisões em que todos sentem-se incluídos no processo.

Por isso é de fundamental importância que a liderança tenha um olhar muito especial no design de processos e estruturas que sejam inclusivas sem que se perca a agilidade.

Aperfeiçoe seu Conhecimento

Neste artigo eu te mostrei quais são os cinco mitos mais comuns acerca de Segurança Psicológica, e como neutralizá-los.

Quer aprender mais sobre Segurança Psicológica?

1️⃣ Inscreva-se na nossa newsletter! Desta forma você recebe em primeira mão novos artigos e outros conteúdos de alta qualidade sobre Segurança Psicológica e Gestão Responsiva. É só inserir seu e-mail no rodapé desta página ⤵️

2️⃣ Confira este artigo em que eu explico de forma mais detalhada como ela surge nas equipes.

3️⃣ Você sabia que a Fractos possui um programa de desenvolvimento de Segurança Psicológica para sua equipe? Basta entrar em contato conosco enviando um e-mail para contato@fractos.co ou preenchendo este formulário que te passamos todas as informações.

Flavio Ratzke

Mestre em Liderança e Administração pela Beulah Heights University (Atlanta/EUA) e Certified Personal & Professional Coach.

Siga o autor deste artigo no Linkedin e saiba mais sobre o assunto gestão de empresas e negóciosAdicione o autor deste artigo no Facebook e saiba tudo o que ele fala sobre gestão de empresas e negócios

Posts Relacionados

Não perca nossos próximos artigos

Obrigado por se inscrever!
Oops, algo não funcionou como deveria! Por gentileza, verifique seus dados e envie novamente.
Acompanhe-nos também nas redes sociais:
Saiba mais sobre gestão corporativa no Facebook da FractosSaiba também sobre gestão de negócios no Instagram da Fractos/No Twitter da Fractos você fica sabendo as novidades sobre holocracia e Teal de forma mais rápida

Hey!

Não perca nenhuma novidade!
Cadastre-se e receba nosso conteúdo em primeira mão.
Nós prometemos enviar somente conteúdo relevante.

Obrigado, seu cadastro foi recebido!
Oops! Algo de errado aconteceu, verifique seus dados...
Agradecemos sua inscrição!
Ooops, algo não funcionou como deveria!